Resenha: O Casamento

ocasamentoTítulo: O Casamento
Autora: Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Páginas: 224

Após quase 30 anos de casamento, Wilson Lewis é obrigado a encarar uma dolorosa verdade: sua esposa, Jane, parece ter deixado de amá-lo, e ele é o único culpado disso. Viciado em trabalho, Wilson costumava passar mais tempo no escritório do que com a família. Além disso, nunca conseguiu ser romântico como o sogro era com a própria mulher. A história de amor dos pais de Jane, contada em Diário de uma paixão, sempre foi um exemplo para os filhos de como um casamento deveria ser. Diante da incapacidade do marido de expressar suas emoções, Jane começa a duvidar de que tenha feito a escolha certa ao se casar com ele. Wilson, porém, sente que seu amor pela esposa só cresceu ao longo dos anos. Agora que seu relacionamento está ameaçado, ele vai fazer o que for necessário para se tornar o homem que Jane sempre desejou que ele fosse. Em O Casamento, Nicholas Sparks faz os leitores relembrarem a alegria de se apaixonar e o desafio de se manterem apaixonados.

Apesar do que diz a capa, O Casamento não chega a ser uma continuação de O Diário de Uma Paixão. As histórias são independentes e ainda que se possa ler O Casamento sem se ter lido O Diário da Paixão, indico ler a história de Noah e Allie primeiro. Acho que torna O Casamento ainda mais emocionante, tocante e profundo.

Devotado a unir casais, Sparks se dedica, nesse romance, à renovação e à manutenção dos relacionamentos. Continuar lendo

Resenha: By The Time You’ll Be Reading This, I’ll Be Dead

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Fale. Escute. Aja.
– Julie Anne Peters

Título: By The Time You’ll Be Reading This, I’ll Be Dead
Autora: Julie Anne Peters
Editora: Hyperion
Páginas: 200

Daelyn Rice está em pedaços, e após uma série de tentativas fracassadas de suicídio, ela está determinada a  conseguir seu direito à morte. Ela começa a visitar um site – through-the-light.com. Enquanto ela está no site, Daelyn conta sobre sua vida, revelando uma história de bullying que remonta ao jardim de infância.

Quando ela não está na internet, Daelyn está na sua escola particular, onde ela é conhecida como a esquisita que não fala. Então, um menino chamado Santana começa a se sentar com ela depois da escola enquanto ela está esperando seus pais buscá-la. Mesmo quando ela pensa ter deixado claro que quer ficar sozinha, Santana não desiste. E é muito tarde para Daelyn deixar as pessoas entrarem em sua vida, não é mesmo?

INTENSO. 

É muito comum livros e filmes americanos abordarem o tema bullying. De uma forma mais sutil e bem conhecida, não é de hoje que as histórias de implicâncias e brincadeiras sem graças afetam nerds, crianças e adolescentes chamados de “aberração”. Populares x impopulares: a fórmula pode ser bem antiga, mas Julie atingiu o tema com uma complexidade que eu nunca tinha visto antes.

O estilo do livro é único. Por Daelyn não falar desde a sua última tentativa de suicídio, sabemos tudo através de seus pensamentos, inclusive o que ela gostaria de falar, se ela pudesse. Calar Daelyn foi uma estratégia genial. A autora mostra como o Bullying realmente age, calando, acuando, inferiorizando, humilhando. Daelyn vive tudo isso e compartilha com o leitor todo o sofrimento de ser vítima de tais atos de violência.

É difícil não sofrer junto com a personagem durante essa trajetória de 24 dias em que ela, principalmente, traz à memória os piores dias de sua vida.

Já Santana é um garoto que traz humor na medida certa para o livro, além de ser um exemplo de superação. Enquanto isso, os pais de Daelyn, Kim e Chip chegam a dar pena pois não conseguem chegar a raiz do sofrimento da filha.

Outro ponto a ser destacado é o título do livro: By The Time You’ll Be Reading This book, I’ll Be Dead (Quando você ler isso, eu estarei morta). Um pouco chocante talvez, mas retrata bem a realidade. MUITO TARDE é a única coisa que vem à minha mente quando penso sobre esse título. Muito tarde para se fazer algo, muito tarde para consertar o dano. Muito tarde porque demoramos a reparar o que está acontecendo de fato. Somos relapsos em relação ao próximo, somos negligentes e cúmplices por permitirmos que alguém sofra e passe por situações iguais as que Daelyn relata.

Julie foi brilhante na escolha do tema e na abordagem dele. Eu não mudaria nada.

É um livro que já deveria estar traduzido (ouviram editoras?). Leitura obrigatória para alunos de Ensino Médio e uma verdadeira dica para pais e professores.

Se interessou pelo livro? Você pode comprá-lo na Cultura

5 estrelas


E se quiser ver um exemplo de uma pessoa pública que sofreu Bullying e suas e tem dado a volta por cima que tal ver o documentário da MTV Stay Strong? Parte 12, 3, 4, 5, 6 e 7

Resenha: Contos de Fadas

Contos de Fadas

Título: Contos de Fadas – Edição Bolso de Luxo
Editora: Zahar
Páginas: 288 páginas

Uma charmosa edição de bolso, para acompanhar pais e filhos pelo resto da vida. Em um só volume encadernado, as mais famosas histórias infantis, em suas versões originais, sem adaptações, de Grimm, Perrault e Andersen, entre outros. Nesses contos de fadas, bruxas, princesas, encantamentos e finais felizes!

Não precisa me conhecer muito a fundo para perceber que eu aaaaaaaaaaaamo a Disney e seus contos de fadas.  Mas honestamente? Eu não havia tido oportunidade, até então, de ter em mãos os contos “originais”. Quero dizer, os escritos pelos Grimm ou Perrault, por exemplo. Os contos que eu tive acesso foram graças a minha amiga e sis Bela, que estava fazendo a monografia sobre A Bela e A Fera (*-*).

Quando eu vi a primeira vez essa edição de bolso, eu me APAIXONEI. E o livro não frustrou minhas expectativas. A versão é realmente um luxo, com pequenas biografias dos autores e lindas ilustrações.

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Resenha: Um Homem de Sorte

Título: Um Homem de Sorte
Autora: Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito
Páginas: 349

“Mas não estava em outra época e lugar, e nada daquilo era normal. Trazia a fotografia dela consigo há mais de cinco anos. Atravessou o país por ela.”

“Era estranho pensar nas reviravoltas que a vida de um homem pode dar.
Até um ano atrás, Thibault teria pulado de alegria diante da oportunidade de passar um fim de semana ao lado de Amy e suas amigas. Provavelmente, era exatamente isso de que precisava, mas quando elas o deixaram na entrada da cidade de Hampton, com o calor da tarde de agosto em seu ápice, ele acenou para elas, sentindo-se estranhamente aliviado. Colocar uma carapuça de normalidade havia-o deixado exausto.
Depois de sair do Colorado, há cinco meses, ele não havia passado mais do que algumas horas sozinho com alguém por livre e espontânea vontade.
(…)
Imaginava ter caminhado mais de 30 quilômetros por dia, embora não tivesse feito um registro formal do tempo e das distâncias percorridas. Esse não era o objetivo da viagem. Imaginava que algumas pessoas acreditavam que ele viajava para esquecer as lembranças do mundo que havia deixado para trás, o que dava à viagem uma conotação poética. prazer de caminhar.
Estavam todos errados. Ele gostava de caminhar e tinha um destino para chegar.”

Vamos começar pela capa? A capa de lançamento é essa que você vê acima e é a edição que eu tenho, mas particularmente prefiro a que foi feita com o poster do filme – apesar de nem sempre ser bom associarmos os atores da adaptação com o livro – a química dos dois ficou melhor representada do que na capa original,  a cor e a fonte do título, subtítulo (…) foram opções melhores.

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Resenha: Delírio

Título: Delírio
Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Páginas: 343

Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga todos os cidadãos a serem curados quando completam dezoito anos. As pessoas também enfrentam outras duras imposições das autoridades, como toque de recolher, fiscalização sobre as artes e intensivo controle através de escutas telefônicas e agentes nas ruas, sempre atentos a qualquer atividade suspeita.

Lena Haloway acredita que todas essas regras são para o bem da população e aguarda ansiosamente o dia de sua intervenção. Essa é a coisa certa e esperada a se fazer. Mas tudo que ela conhecia e em que acreditava desmorona no momento em que Lena se apaixona por Alex. Faltando apenas noventa e cinco dias para sua intervenção, será que Lena ainda escolherá a cura?

A ideia do livro me conquistou completamente: Uma cura para o amor. Quantas críticas maravilhosas não poderiam ser feitas através de uma distopia com esse tema? Comprei o livro logo quando lançou, mas ele ficou por vários meses na minha estante por conta da minha monografia. Quando comecei a lê-lo demorei bastante para terminá-lo. O motivo? A história não foi bem como eu imaginava…

Não tenho dúvidas quanto ao potencial de escrita da Lauren Oliver. A autora escreve de uma maneira fascinante, poética. Contudo eu esperava ler uma distopia e me deparei com o que alguns chamam de romance distópico. Lauren acabou focando muito no casal e esquecendo de dar um destaque maior para a sociedade, por isso, romance distópico é a melhor classificação para o livro.

De fato, a ideia de um mundo onde o amor é uma doença é ótima, mas não foi tão bem aproveitada. Considerando o mundo em que vivemos, eu esperava encontrar um enredo que levasse o leitor a refletir sobre a ausência de amor nas atitudes de muitas pessoas, a intolerância, a indiferença, que estão a cada dia mais presentes no meio em que vivemos.

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Resenha: Lonely Hearts Club

Título: Lonely Hearts Club
Autora:
 Elizabeth Eulberg
Editora: Íntrínseca
Páginas: 238

Penny Lane Bloom cansou de tentar, cansou de ser magoada e decidiu: homens são o inimigo. Exceto, claro, os únicos quatro caras que nunca decepcionam uma garota — John, Paul, George e Ringo. E foi justamente nos Beatles que ela encontrou uma resposta à altura de sua indignação: Penny é fundadora e única afiliada do Lonely Hearts Club — o lugar certo para uma mulher que não precisa de namorados idiotas para ser feliz. Lá, ela sempre estará em primeiro lugar, e eles não são nem um pouco bem-vindos. O clube, é claro, vira o centro das atenções na escola McKinley. Penny, ao que tudo indica, não é a única aluna farta de ver as amigas mudarem completamente (quase sempre, para pior) só para agradar aos namorados, e de constatar que eles, na verdade, não estão nem aí. Agora, todas querem fazer parte do Lonely Hearts Club, e Penny é idolatrada por dezenas de meninas que não querem enxergar um namorado nem a quilômetros de distância. Jamais. Seja quem for. Mas será, realmente, que nenhum carinha vale a pena?

Depois de estudar, literalmente, as distopias por uns 5 meses, nada mais agradável que uma leitura simples e divertida. Lonely Hearts Club era o tipo de livro que eu estava precisando ler. Sabe aqueles romances leves sobre o Ensino Médio? A ideia pode parecer batida, mas Elizabeth Eulberg deu um toque especial à história.

Eu devorei o livro em poucas horas. O enredo é daqueles que ou você se identifica ou te faz lembrar de alguém, afinal quem nunca teve uma desilusão amorosa? E é por ter tido seu coração partido que Penny decide fundar o Lonely Hearts Club, nome que teve os Beatles como inspiração. De início era para ser um refúgio exclusivo da menina, mas a ideia acaba ganhando adeptos em uma proporção inesperada.

É legal ver o papel que os Beatles tem na história do livro, desde o nome da Penny e de suas irmãs, passando pelos seus pais beatlemaníacos e o clube LHC, até as inúmeras referências que estão presentes na narrativa.

Alguns pontos poderiam ter sido melhores explorados, por exemplo, conter mais detalhes sobre as personagens secundárias. Ainda sim é uma ótima indicação para quem quer passar o tempo ou sair um pouco de uma leitura mais densa.

Meus personagens favoritos são Tracy, Diane, Ryan e os pais da Penny: a amiga engraçada e estressadinha, a garota que cansa de fingir ser quem não é e toma coragem de seguir seus sonhos, o menino fofo e os pais fanáticos que estão dispostos a apoiar a filha. O que torna o livro especial é que ele não se detém apenas nos relacionamentos e nos términos, mas principalmente na amizade. Definitivamente uma leitura deliciosa.

Resenha: Estilhaça-me

Título: Estilhaça-me (#1)
Autora: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Páginas: 190

Juliette nunca se sentiu como uma pessoa normal. Nunca foi como as outras meninas de sua idade. O motivo: ela não podia tocar ninguém. Seu toque era capaz de ferir e até matar.

Durante anos, Juliette feriu e, segundo seus pais, arruinou o que estava à sua volta com um simples toque, o que a levou a ser presa numa cela.

Todo dia era escuro e igual para Juliette até a chegada de um companheiro de cela, Adam. Dentro do cubículo escuro, Juliette não tinha notícias do mundo lá fora. Adam ia atualizando-a de tudo.

Juliette não entendeu bem o que estava acontecendo quando foi retirada daquela cela e supostamente libertada, ao lado de Adam, e se vê em uma encruzilhada, com a possibilidade de retomar sua vida, mas por caminhos tortuosos e totalmente desconhecidos.

“Estilhaça-me” é um romance fantástico, que intriga, angustia e prende o leitor até a última página com uma história surreal que mistura amor, medo, aventura e mistério e traz um desfecho surpreendente.

Distopia ou não? Quando estava preparando os slides para a apresentação da minha monografia (que teve como tema a distopia), vi alguns comentários de pessoas que consideram o livro distópico, já outras discordavam. Não vejo o livro como uma distopia basicamente por dois motivos. Primeiramente porque conhecemos muito superficialmente a organização da sociedade, Tahereh deixa de fora os detalhes comuns aos livros distópicos. A outra razão é a ausência da crítica sociológica, também típico da distopia. (veja o que a autora pensa)

O mundo é caótico (fator que as pessoas acabam confundindo com a distopia), mas vemos muito pouco dele principalmente porque Juliette permanece muito tempo isolada do mundo exterior. O que sabemos é que o Restabelecimento, com a promessa de um futuro melhor, toma medidas extremas. O resultado é um mundo cinza, triste e quase que sem vida. Fracos são excluídos,  a comida é escassa, animais estão em extinção.

Juliette está presa a 264 dias em uma manicômio. Sem tocar ninguém, sem conversar com ninguém. Se ela não fosse louca, esse isolamento provavelmente a deixaria totalmente insana. Isso é muito bem retratado através da narrativa em primeira pessoa. Tahereh nos apresenta uma personagem que transita entre a ideia de vilã e heroina, monstro e vítima, culpada e inocente.

Tudo é confuso até Adam Kent ser colocado na mesma cela que Juliette. Após isso tudo melhora piora toma um rumo diferente. Juliette pensa reconhecê-lo, mas antes mesmo que a relação dos dois possa tomar alguma direção, a menina é retirada de sua cela à mando do chefe do Restabelecimento, que quer utilizá-la como arma contra os rebeldes. Adam é um soldado do Restabelecimento e por diversos momentos é difícil definir se ele é um traidor, uma marionete… resumo, ele é um mistério em grande parte do livro.

Warner, o chefe do Restabelecimento, é um vilão que merece destaque. Sua personalidade é muito bem construída. Obsessivo em seus propósitos, ele faz de tudo para levar a protagonista a juntar-se a ele em seus planos. Acredito que muito sobre ele será revelado em Destroy Me, conto narrado por Warner que é situado entre Estilhaça-me e Unravel Me (segundo livro da trilogia previsto para fevereiro de 2013). Ainda que não saibamos sobre os motivos que o levam a agir como age, eu realmente só consegui ter pena dele.

Quote favorita:

Meu mundo é uma teia entrelaçada de palavras, amarrando membro a membro, osso a tendão, pensamentos e imagens todos juntos. Sou um ser composto de letras, uma personagem criada por frases, um produto da imaginação fabricado por meio da ficção.  Pag. 65-66

O final é uma verdadeira faca de dois gumes. Para aqueles que criaram uma expectativa muito grande com a linha que a escritora segue talvez seja um pouco decepcionante, já os que lerem com uma visão, digamos, mais aberta vão gostar da mudança inesperada. Independente do fim do livro agradar ou não, uma coisa é certa, ele te deixa com várias perguntas sem respostas.

O estilo da Tahereh é único. Os capítulos do livro são curtos e o ritmo acelarado do livro são essenciais na construção da Literatura Young Adult, ponto para a Tahereh! A escrita é intensa. As metáforas muito bem trabalhadas. Fiquei fascinada com os artifícios usados, não apenas pela utilização do rasurado como também das repetições, das frases curtas e cortadas. Essas fazem com que nos liguemos a personagem, a forma como ela pensa nada mais é a nossa própria forma de pensar. Inicialmente pode ser um pouco incomodo, mas quando se percebe que as repetições foram propositais passa-se a entender não só o porquê da utilização delas como também conhecemos melhor a personagem. Quanto ao rasurado, ele se torna uma opção incrível. Além de ser um recurso inédito, já que eu – particularmente – nunca vi ser utilizado em um livro, é também uma forma de representar uma briga comum ao nosso subconsciente com nosso consciente.


Narrativa: 
Enredo: